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Cólua Tremura: “Fui bloqueado do facebook por fazer uma piada relacionada à Telma Lee”

Alberto de Castro Cólua , artisticamente conhecido como Cólua Tremura, nasceu em Luanda, no município do Cazenga, tendo anos mais tarde, se mudado com os seus pais, para Cacuaco, localidade onde cresceu. Cólua é actualmente um dos rostos bastante conhecido do Stand Up Comedy feito em Angola, fruto da visibilidade que vem ganhando devido às inúmeras aparições em palcos e na internet.

Em exclusivo à Bateu Bwé, Cólua falou sobre o seu percurso enquanto comediante, começando por explicar a origem do seu nome artístico. O artista revelou que o pseudónimo Cólua Tremura surgiu pelo facto de estar constantemente a tremer, estado causado por uma doença designada Tremor que, segundo o mesmo, herdou da linhagem familiar. No intuito de evitar às perguntas constantes das pessoas “Porquê é que ele treme?”, o comediante decidiu associar o nome Cólua ao Tremura como identidade artística.

Como é que te descobriste como humorista?

Cólua Tremura: Tudo começou na universidade. Normalmente, os estudantes do primeiro ano da nossa faculdade preparam uma peça teatral para cerimónia de abertura, e eu foi escolhido para fazer parte do grupo teatral, mas como eu sou tímido, tiveram que me insistir “bué”, e com o passar do tempo comecei a descobrir que gosto disso. Depois de um tempo, o nosso preparador disse, Cólua isso que você faz é “Stand Up”, porque eu gostava muito de contar as coisas que me aconteciam na faculdade, depois ele deu-me alguns vídeos, mostrando algumas pessoas que fazem o que eu fazia.

Em algum momento, o seu tremor criou-te certa barreira na sua carreira ou socialização?

C.T – Por eu tremer as pessoas tinham tendência de me abuzar sempre, então, eu criava estigas como mecanismo de defesa. Portanto, procurava já criar várias estigas que, quando começassem a me abuzar e eu já sei como eu vou lhes estigar, e com o passar do tempo descobri que afinal era uma habilidade que eu estava a trabalhar em mim mesmo.

Já foi, durante uma actuação, mal interpretado pelas pessoas por estar a tremer?           

C.T – Claro. Muitas vezes, as pessoas pensavam que eu tinha medo, porque o tremor muitas vezes passa a imagem de que a pessoa tem medo ou não está confiante daquilo que está a fazer. Isso acontece mais quando me apresento a um público novo. Mas, graças a Deus, tenho conseguido controlar.

Depois da fase de descobrimento artístico, o quê é que veio a seguir?

C.T – Passou um tempo, depois entrei no concurso Tropa dos Tuneza em 2017, realizado em Portugal; regressei a Angola, e daí, comecei a fazer vídeos só para internet, de lá para cá, surgiu o Cólua,

Como é que olha para o campo do Stand Up Comedy feito em Angola?

C.T – O Stand UP Comedy em Angola é um mercado novo, porque o seu fundador no país, que é o GozAqui, tem sete anos. Sendo um mercado novo, há muita coisa que ainda não foi descoberto, há muito público que ainda desconhece, e trazer algo novo para o nosso público que está cheio de padrões, é um pouco complicado, mas ainda assim, continuamos a fazer, e há também mais outros artistas a surgirem, e isso tem ajudado.

Chegou a ter problemas com alguém por fazer piada com ele ou ela?

C.T – Sim, já tive. No Stand Up Comedy, o público não entende que, por nós convivermos não posso falar de ti. Eu faço as piadas com base numa referência, porque se fores muito conhecido e eu for citar o seu o nome, o pessoal vai reconhecer, do que o nome do meu amigo que ninguém conhece.

Há tempos fui bloqueado do Facebook por fazer uma piada relacionada à Telma Lee. Ela está grávida, e me apercebi que ela lançou música louvor, então eu tentei relacionar com o facto de que, quando uma mulher está grávida e faz músicas de louvor é porque a gravidez não está a ir bem, dai o Facebook bloqueou-me.

Achas difícil fazer rir o público angolano?

 C.T – Não é tão difícil. Você como artista tem que fazer uma leitura do público, porque às vezes não é o público que é difícil, mas você é que traz coisas difíceis. Por exemplo, se a plateia for de um público mais instruído, então, deves procurar elevar o teu texto, e vice-versa.

Quais são as suas referências no humor nacional e internacional?

C.T – Eu sou grande apreciador de comédia e acompanho todo mundo, mas não tem como ficar indiferente ao Bil Scoby, Richard Prier. Em Angola temos o Maestro, esse mais velho é muito bom. E também tem o Gilmário Vemba e o Agente Formiga.

Sabe-se que Cólua Tremura além de ser artista é médico. Como tem conciliado ambas as áreas?

 C.T – Na normalidade. Às vezes é preciso procurar um meio-termo. Eu sou recém-licenciado, de aproximadamente sete meses. Ainda não estou a trabalhar num lugar fixo, e quando estiver na especialidade, terei que fazer mesmo jogo de cintura, porque os eventos de Stand acontecem mais de noite, então vou procurar não marcar nenhum evento, quando estiver de banco, ou seja, 24 horas no hospital. Então, terei mesmo que refazer a agenda.

Como é que caracterizas a tua forma de fazer Stand Up?

C.T – Irreverente e um pouco teimoso. Muita gente me diz: “Colua se você fizesse um Stand Up sem falar mal de ninguém, podias dar certo”. Então, às vezes, toco nas pessoas que talvez podiam me apoiar, e é por isso que também sou pouco chamado na televisão.

Como é que lida com o facto de não ser chamado na televisão por causa do seu conteúdo?

C.T – Houve momentos que já fiquei um pouco triste porque querendo ou não a televisão ainda vende muito. Nós crescemos com a mentalidade de que, quem passa na televisão ou é famoso ou tem dinheiro. Epá, vai levar um tempo para as pessoas me compreenderem.

Como funciona o seu processo de criação, fazes no momento ou escreves?

C.T – Eu normalmente escrevo, porque se for uma polémica ou algo engraçado, tu podes, daí, pesquisar mais sobre o assunto, e quando fores a plateia podes acrescentar alguma coisa, porque isso de ir pensando tudo de momento, às vezes não funciona.

Texto: Narciso Drake

Imagem: Cardoso Lopes

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