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Saúde e Beleza Sociedade

O testemunho de quem esteve confinada com COVID-19

A equipa da Bateu Bwé fez uma visita à dona Paula, uma senhora de 49 anos de idade, residente no São Paulo, em Luanda, que contou a nossa equipa do período que viveu infectada com COVID-19.

Paula contou que sofre de uma patologia hereditária, que é a Asma-Alergica, que a deixa engripada na mudança de clima. Quando pegou os sintomas da Covid, pensava que era gripe, mas na terceira semana, foi à farmácia, após ter perdido a voz, ter sentido irritação na garganta e sentido o nariz a pingar.

A mesma conta que para a sua situação lhe foi receitada: Azitrimicina, Vitamina C, e entretanto, vendo que não havia melhoria, a sua tia obrigou-lhe a procurar os serviços médicos na Clínica Endiama, uma vez que já não trabalhava há três semanas. Posto na clínica, fez o Raio-X, o teste da dendue, onde recebeu a notícia de que o vírus já tinha passado por ela sem perceber, tendo chegado a fazer o teste de Zaragatoa.

“Quando a doctora me disse que tinha Covid, eu informei à minha cunhada que tinha os mesmos sintomas que eu. Fui com ela, mas evitando o contacto com as pessoas e o doctor informou que apanhámos na mesma rede de trasmissão. Dai, analisamos o trajecto que haviamos feito, sendo que tínhamos ido ao mercado arreiou e posteriomente a um café onde encontramos a mesa suja e possivelmente as nossas mãos não estavam bem desefectadas e tudo começou aí.

Informamos aos nossos filhos, nos isolamos na casa da minha cunhada onde fiquei confinada. Os filhos ficaram com a minha mãe, recebemos a visita do Ministério da Saúde que nos passou várias orientações de que não poderiamos ter contacto com ninguém. Mas dentro deste tempo passamos mal.

Nós quando soubemos o que tínhamos a doença passou a ser psicológico. Passei a sentir vários sintómas, como dor do ouvido, dor no corpo, o impressionante é que sentíamos as mesmas dores.

Deixa-me reconhecer, o governo trabalhou muito na fase do pico da Covid. Em outubro quando apanhámos, tivemos muito apoio, fizeram rasteio à familia por duas vezes. Fizeram a primeira vez porque os exames desapareceram, dois dos meus filhos que tiveram contacto comigo, ficámos dois meses confinados, mas tudo foi feito para o nosso melhor.

Ter Covid já é dificil, e foi mais dificil ainda manter a distância dos filhos. Chegou uma altura em que a doença era por não poder ver meus familiares e saudades dos meus filhos, poderia lhes ver pela janela a distância e fazer a deus, mas depois de tudo, passámos para o outro passo que é a discontaminação das casas onde estivemos, o Ministério da Saúde ajudou-nos, até aí sem razões de queixas e tivemos uma sorte que muitos não tiveram. Cheguei a perder família por Covid e passamos a encorajar outras pessoas que tinham a doeça e partilhavamos conhecimento.

Quando nos deram o título de alta, o apoio psicológico da Covid visitou-nos e ajudou porque tínhamos medo e traúma de estar com as nossas famílias nas festas. Portanto, contei com a ajuda de muita gente que só tenho que agradecer”.

Texto: Cardoso Lopes

Revisão: Narciso Drake

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