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Saúde e Beleza Sociedade

“Muitos pais vêm procurar-nos numa fase em que já viveram o seu luto “, disse a Terapeuta Ocupacional, Diane Kayakez Mukaz Domingos

Recentemente a nossa equipa de redacção, deslocou-se até ao Patriota para visitar a Clínica Reabilitary na qual fomos recebidos por Diane Kayakez Mukaz Domingos que é especialista em Terapia Ocupacional, e também em Reabilitação Neurológica, intervenção no Autismo e em Saúde de Trabalhador.

Licenciada pela Universidade Federal do Paraná (Brasil) desde 2009 a caminho de 12 anos de trabalho e experiência profissional Diana Domingos já actou no sector da Educação e Saúde do Trabalhador, actualmente trabalha com crianças com atraso no desenvolvimento.

B.B – O que lhe levou a formar-se numa área que em Angola não há?

Diana Domingos: – No ensino médio fiz enfermagem, Tentei fazer medicina e fui fazer engenharias de recurso naturais na UNIA o que me levou foi um concurso na qual participei na posição que acabei colocada tinha três escolhas para opções de cursos como: Nutrição, Psicologia, Farmácia e Terapia Ocupacional, mas por influência do meu pai escolhi Terapia Ocupacional, quando soube que intervirá na saúde do público infantil cativou-me.

Quando eu estava a fazer o “provar” que é uma fase na qual eu queria mudar de curso enquanto pensava que não daria certo pelas dificuldades que enfrentavana altura, quem me fez mudar foi uma menina enquanto eu estava no ónibus, veio uma menina de síndrome de dan, passou por várias pessoas e abraçou-me, aí eu tive a certeza do que eu queria fazer.

B.B – Teve muitas dificuldades para enquadrar-se no mercado angolano quando regressou do Brasil?

Diana Domingos: – Não, eu fui bolseira da Sonangol quando voltei fui enquadrada no gabinete de saúde ocupacional actuando na área de saúde do trabalhador, relacionar a função do trabalhador , relacionar a função do trabalhador com as características, adequação e as condições do mesmo porém por ser a únicas especialista na Sonangol passei atender crianças autistas também.

B.B – Quanto aos números constatados no nosso país é assustador?

Diana Domingos: -Sim, mundialmente crianças com autismo ou TDH e outras condições de saúde que cometem as crianças aumentaram grandiosíssimante, independentemente do quadro a criança têm que passar por aquilo que é chamada intervenção precoce aí ela recorre a uma equipa multidisciplinar como pediatra, nêuro pediatra, psicólogo, psicopedagogo, físio-terapeuta e deve ter também um terapeuta ocupacional então a procura tem sido muito alta.

B.B – Já sentiu a necessidade de formar ou passar o conhecimento noutras pessoas sendo única especialista que temos no país?

Diana Domingos: – Já senti sim, sinto muita necessidade de formar, já tive em universidades a solicita-me à ver se avalio a abertura de curso cá, mas é tudo uma questão burocrática. As Universidade que contactaram são privadas, também em função da pandemia vários cursos no país fecharam em função das estruturas das mesmas.

Como especialização sou formadora pelo ENADE tenho feito é cursos de capacitação para profissionais como: Psicólogo, Psicopedagogo e terapeutas.

B.B – A pandemia reduziu a procura pelos seus serviços?

Diana Domingos: – Muito pelo contrário, aumentou, porque muitos pais tercerizam, os filho que se não fica com a babá, vai a creche e nesse tempo de pandemia tiveram maior contacto com as crianças daí perceberam que certas crianças até aos três anos, não consegue realizar tarefas como, comer sozinha, escovar os dentes e têm atraso na percepção e na fala, a pandemia ajudou porque os pais tiveram mais contacto com elas e ao perceber preocuparam-se, foram no nosso PHD que é o Google procurar saber os sintomas que apresenta o filhos, depois como não sabem o que fazer, chegam aqui apavorados.

B.B – Qual é o nível de preocupação que certos pais lhe procuram?  

Diana Domingos: – Muitos pais vêm procurar-nos numa fase em que já viveram seu luto, no bom sentido, a Clínica Realbilitary foi criada para parar com aquilo que é chamado shopping de médico (shopping de médico é quando vais para este terapeuta, vais para aquela clínica, vais para outro médico), aí é que eu digo, carece de também um equipa multidisciplinar na maior parte, os pais chegam cansado por várias buscas sem sucesso, aí eu digo que eles chegam na fase de luto nos buscando como solução.

A meu aborrecimento é de receber as crianças após três anos de idade, sendo que a maior janela de plasticidade cerebral, vai dos zero aos três anos idade, aos três anos já perdemos muito deste cérebro, infelizmente este período eles são chamado como crianças invisível, porque não fala, por ser pequenos nem sempre há intervenções, procuram-nos por conta da fala, mas nós já sabemos que para falar tem que ter outros assunto resolvidos, isso é o que me deixa triste em receber os meninos tarde.

B.B – Um concelho para sociedade

Diana Domingos: Quero alertar que não escondam as crianças ainda que vos chamem de loucos não se obtêm pelo que dizem os vizinhos e amigos e poe aí, qualquer inquietação na vossa “muxima” procurem os especialistas porque estamos a mutilar crianças no sentido de desenvolvimento, peço aos especialistas por favor, ouçam os pais das crianças com máxima atenção.

Texto: Cardoso Lopes

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