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Cult & Art Letras

Lançamento de Software Carnal, nova obra poética de José Luís Mendonça

É já neste fim do mês de Setembro, dia 30, às 17 horas, que a editora Kalunga apresenta, no Camões (Centro Cultural Português), em Luanda, a mais recente produção poética de José Luís Mendonça, uma das vozes mais inovadoras da poesia angolana deste século.

Um início de século cada vez mais online e cada vez menos sentimental, em que Software Carnal aparece como um convite ao retorno dos afectos, contra a conflitualidade social inaceitável e arcaica, através da aposta inadiável na devoção à Mulher.

Com apresentação crítica de Fátima Fernandes e a palavra da leitora de Conceição Neto, o evento terá como mestre de cerimônia, Djanira Barbosa, e será também palco de poesia e canto dedilhado nas cordas da viola de WilmarNakeni, Lala e Pedro Bélgio.

A obra inaugura o ciclo de publicações da editora Kalunga que se apresenta no mercado literário Angolano, sendo comercializada no valor de 3.000,00 AKz, e a participação é livre, porém impõe o uso da mascará, por razões pandémicas.

A editora Kalunga é uma iniciativa empreendedora jovem e que actua na edição, livraria e papelaria.mn. O Camões (Centro Cultural Português, em Luanda), está localizado na Avenida de Portugal, 50, nas instalações da Embaixada de Portugal.

Um mar de erotismo e devoção à Mulher

Software Carnal, a mais recente produção poética de José Luís Mendonça, celebra a vertigem da Criação natural, cuja expressão mais acabada é a Mulher, “esse registo abobadado/ de trezentos milhões de anos de evolução”, como se pode ler no poema que dá título ao livro.

É nesse registo abobadado que Eros faz morada. E é nele também que o poeta digitaliza os versos, com recurso ao software inamovível e desconhecido da origem da Vida. Esta incursão dialéctica na vertigem do estar neste mundo, que só se apazigua no andar a dois (macho-fêmea) resulta em versos fundados sobre a melodia das coisas mais simples da Terra, “uma vírgula, um caracol, uma côdea de pão seco/ bicado por três galinhas” (pág.17), porque é delas que, a final, se alimenta o espírito. É neste outro registo que o Sentimento faz morada.

Os 37 poemas de Software Carnal perfazem um hino à misteriosa e infinita expansão do Universo que aqui, neste lugar chamado Terra, se reedita no ventre expansivo em tempo de gravidez, nos olhos húmidos e luminosos da Mulher dotados da ciência maternal de ver e na sede dos dedos a tactear a liquidez das coisas que nos rodeiam. Poesia de uma maturidade impressionante, que coloca a Poesia angolana no patamar cimeiro da contemporaneidade lírica.

Do autor

Poeta de profissão, jornalista por concessão e homem por distracção, José Luís Mendonça dirigiu durante sete anos o jornal CULTURA, quinzenário angolano de Artes & Letras. É professor de Língua Portuguesa e Noções de Direito.

Fez a sua aparição no mundo das Letras com um conjunto de poemas, “Chuva Novembrina”, aos quais foi atribuído o Prémio Sagrada Esperança em 1981.

O autor nasceu a 24 de Novembro de 1955, no Golungo Alto, Angola, e publicou várias obras de poesia e prosa, sendo a mais recente o romance “Se os Ministros Morassem no Musseque” (2019).

No ano de 2015, foi-lhe outorgado o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Literatura. 

Reparte a sua vida pública entre a oraliratura, o jornalismo, o ensino da língua portuguesa e o activismo cultural pelo fomento do livro e da leitura.

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