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Dj Joss Dee: ”O desejo de ter a minha música na playlist de algum videojogo é algo que me fascina muito”

Josemar Ricardo Camenha Cardoso Quinguaia, nascido aos 6 de Abril de 1995, em Luanda, é um jovem Dj e produtor musical angolano residente no Brasil (Rio de Janeiro) há 8 anos, conhecido artisticamente por ”Joss Dee”. Apesar de ter começado em 2010, apenas nos meados de 2014, Joss Dee passou a encarar a música de forma mais séria e profissional, tendo se tornado DJ no final de 2015, segundo contou o mesmo em entrevista exclusiva à Bateu Bwé que, desde já, convidamos a si, caro leitor, a acompanhá-la.

Bateu Bwé – Conta-nos como é que começou a sua carreira na música.
Joss Dee: A minha carreira no mundo da música começou no ano de 2010. Incentivado por um primo e já imerso em actividades culturais do estilo Kuduro, comecei a dar os meus primeiros passos no mundo da produção musical, e com o passar do tempo, fui melhorando e passei a produzir músicas do estilo kuduro para alguns amigos. Anos depois tive também uma boa passagem pelo mundo do Afro House, numa vertente mais underground do estilo.

BB – Produz um estilo musical específico ou prima pela diversidade?
J.D: Penso em inúmeras possibilidades de produção e já trabalhei em produções de diversos estilos, mas frequentemente trabalho com estilos como Kuduro, Trap, Drill, Afrobeats, House (Várias vertentes do estilo), Disco, Brazilian beats e recentemente tenho desenvolvido alguns trabalhos em estilos mais clássicos como Afro Jazz e Soul.

BB – Para quais artistas já teve a oportunidade de produzir?

J.D: Como produtor musical, já trabalhei com Rincón, Cecília Marcos, Thalma de Freitas, Anchietx, Dj Falcão, Tropeira África, Kwanzas Reais e outros artistas. E enquanto DJ, partilhei o palco com Erykah Badu (USA) Plutônio(MOZ), Selma Uamusse (MOZ), Luedji Luna(BR), Xamã(BR), Fabio Dance (ANG), Dj Lutonda(ANG), Banda Maravilha(ANG), Man Renas e vários outros artistas.

BB – Foste ao Brasil por razões profissionais ou um outro objectivo levou-te àquele país?
J.D: Cheguei ao Brasil como imigrante e com o objectivo principal de estudar e dar sequência aos estudos. Sou formado em Economia e atualmente actuo como pesquisador (mestrando) na área de Economia Política Internacional.

BB – O que é que te distingue de outros produtores e Djs?
J.D: A minha sonoridade e técnica é o que me distingue. Faço muita questão de nas minhas apresentações tocar músicas, remixes e edits de minha autoria ou que me identifico bastante, assim consigo uma certa exclusividade e diferenciação dos demais.

BB – Ainda na área da Produção, quem são as suas referências ou inspirações?
J.D: Inspirações são várias, a maioria delas são africanas, e particularmente acredito muito na capacidade e potência dos DJs e produtores angolanos. Tenho como principais referências o Dj Lutonda, Djeff Afrozilla, Dj Demolition (Da Rádio Luanda), Nelasta, Dj Havaiana, Homeboyz, Dj Júlio Rodrigues, Dj Maphorisa, Dj Shimza, Black Coffee, Major League, Sarz, Kebza Small, Teo no Beat, Gaia Beat, Kaytranada, P2J, Kelp, Norhboi, Papatinho, Chis Rich, Regibeatz.

BB – Quais são os artistas com os quais gostaria de trabalhar. E porquê?
J.D: A lista é extensa, mas vou me limitar a 3: Homeboyz, Bruno King e Wizkid, por serem artistas muito autênticos.

BB – Qual é o seu maior sonho enquanto Dj e Produtor?
J.D: Eu acredito muito no poder da arte como elemento transformador, e principalmente da música. O meu maior sonho é conseguir alcançar as pessoas, me apresentar em grandes palcos (principalmente dentro do continente africano) e ter a minha música popularizada e globalmente tocada. Acho um pouco inusitado, mas, o desejo de ter a minha música na playlist de algum videojogo é algo que me fascina muito! (risos)

BB – Como é que olha para o mercado de produção musical em Angola?
J.D: O mercado de produção musical em Angola é, na minha perspectiva, um mercado muito criativo e com enorme qualidade. Existem muitos talentos com enorme potencial a produzirem coisas novas e incríveis que infelizmente o nosso mercado monopolizado e viciado não mostra. Acho que o mercado musical angolano precisa ser mais democratizado de modos a conseguir aproveitar da melhor forma aquilo que se produz e não apenas os sons mais convencionais.

Texto: Narciso Drake
Imagem: Joss Dee (Cortezia)

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