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Artes cénicas Cult & Art

Celma Pontes e Jaime Joaquim carimbam Duetos na Avenida com a peça teatral “A Escrava da Cama”

Neste domingo (dia 10/10), às 18 horas, o Duetos N’Avenida realizou na Casa das Artes a 18º edição do projecto, com teatro angolano na ribalta. Dessa vez, a dupla será de actores: Celma Pontes e Jaime Joaquim formam o casal da peça “A Escrava da Cama”, escrita por Marisa Júlio e encenada e dirigida por Tony Frampênio.

Durante os ensaios, os dois actores viveram momentos de grande integração e entusiasmo. Para Celma Pontes, o Jaime Joaquim é simplesmente Jejê, nome de carinho que resulta de “mil anos de amizade”: “Já estivemos em alguns projectos juntos e ultimamente temos estado a trabalhar coincidentemente em muitas produções. É um artista completíssimo de quem gosto muito”. Jaime diz: “É bom estar com a Celma, grande atriz e amiga querida. Estamos a nos divertir muito e a recriar o suficiente”.

Para a autora do texto e criadora dos personagens Telma e Nicolau, “A Escrava da Cama” é uma oportunidade de transformação para os actores, que estão a viver uma “imensa entrega”, comandados pelo director Tony Frampênio. Sobre o impacto do tema na plateia, a autora considera que, a falar das dificuldades e dramas de uma relação de casamento, haverá espaço para reflexão. “O texto se inspira na realidade patriarcal angolana, mas particularmente na história de uma pessoa conhecida que, infelizmente, conviveu com um homem que sofria de dependência química. Considero o tema relevante e merecedor de discussão e reflexão”, comenta Marisa Júlio.

Fã da dupla de actores, Marisa Júlio “se desmancha” em elogios: “São grandes nomes do teatro angolano. Celma, que já trabalhou muito comigo, é um vulcão com uma electricidade artística muito forte, além de ter uma voz incrível. Gosto também muito do trabalho de Jaime Joaquim, grande talento! Enfim, é uma dupla muito forte e tenho a dizer que essa estreia vai ser mesmo grande”.

Nessa primeira edição dedicada ao teatro angolano, o Duetos segue o caminho da criatividade e da surpresa. Para quem imaginava ser o projecto eminentemente musical, o compromisso com a inovação roubou gargalhadas em noites de humor comandadas por Calado Show e Gilmário Vemba e emoção com a poesia do Poeta dos Pés Descalços, Ângelo Reis, e Márcio Batalha. Segundo o director executivo da Zona Jovem Produções, Figueira Ginga, “no Duetos, há lugar para a música, humor, poesia e, entre outras formas de expressão artística, o teatro. Porque tudo isso faz parte do mosaico cultural angolano e merece o nosso respeito e um tratamento equiparado. Existem mais talento na cultura nacional e com certeza nós vamos buscá-los e trazer para o nosso palco. Daí falarmos hoje de Duetos N’Avenida como um projecto cultural com valor acrescentado”.

Para o director e encenador de “A Escrava da Cama”, Tony Frampênio, levar o teatro ao Duetos N’Avenida é um grande desafio. “Numa altura em que o teatro precisa de se afirmar, não podia deixar esta oportunidade para justificar aquilo a que temos reclamado: falta de apoio ao teatro. Um projecto como o Duetos certamente colocará o teatro na ribalta. Aproximará o teatro de um público que nem sempre tem acesso à arte cénica que se faz no país. É uma oportunidade para dar a conhecer quem somos, do que somos capazes e porque devem nos apoiar”.

Frampênio também comemora o facto de estar a trabalhar com um texto escrito por uma autora angolana, com actores angolanos e produção 100% nacional: “Até 2010, mais ou menos isso, um evento destes seria feito com um encenador estrangeiro. Se estamos a fazer todo esse trabalho por mãos e talentos angolanos, é um sinal positivo muito importante. É algo que deve ser enaltecido”.

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